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http://hdl.handle.net/10174/40881
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| Title: | Os terminais da identidade |
| Authors: | Martins, José |
| Keywords: | diferença ontológica Descartes/Deckard ética terminal ser-para-a-morte |
| Issue Date: | 3-Mar-2023 |
| Citation: | MARTINS, José, “Os terminais da identidade”, comunicação apresentada ao colóquio do Seminário Permanente de Fenomenologia “O Cinema como Fenomenologia: Blade Runner”, Évora, 3 de Março de 2023 |
| Abstract: | Propomos reler Blade Runner sobrepondo, àquela que Žižek formula, uma nova e mais primordial paralaxe, a da diferença ontológica. Se a angústia da identidade ôntica – quando suspeito de que ‘quem sou’ não coincide com ‘o que sou’ – deve ser apaziguada por uma identificação com essa mesma fractura insanável que me constitui como ‘diferença ôntica’, entretanto, a minha identidade ontológica (não enquanto ‘humano’, mas enquanto Dasein) é ou faz-se com mais do que com essa diferença ôntica, endógena ao próprio cogito originariamente fendido (em que uma mesma ipseidade fenomenológica de consciência pode corresponder à identidade de dois tipos de ‘terminal’ distintos mas indiscerníveis, o cerebral e o computacional): é uma identificação, já não (I) com os terminais da identidade (terminal neural = ‘afinal’ sou humano / terminal cibernético = ‘afinal’ sou replicante), nem sequer (II) com a condição de terminalidade da própria metafísica da ‘identidade’ (que Žižek partilha com Bukatman e com Scott), mas (III) com uma terminalidade outra, a própria condição ontológica do ser-para-a-morte. E essa idêntica diferença ontológica (o ‘não-ser’ intrínseco ao ‘ser’ de todo e qualquer ‘sou’) identifica mais cedo e mais fundo humanos e replicantes entre si e uns com os outros, porque na raiz originária de ambos, do que as suas díspares identidades ônticas os diferenciam.
Roy Batty só iguala a sua vida à dos humanos porque, antes disso, o seu querer-viver é o de um ser-para-a-morte. Nesse ‘para’ se concentra toda a pungência ontológica da morte e toda a dramática e a narratividade de Blade Runner. Quer dizer, tudo o que nele é filosofia e tudo o que nele é cinema: tudo o que nele é imagem, nome e lugar dessa nova e terceira Diferença, que também neste ensaio se debate re-tomando a fundo o sentido de uma ‘filosofia do cinema’.
O verdadeiro teste de Turing não é o de Voight-Kampff, mas o de Sein und Zeit: que importa o que / quem sou, e a sua difracção enganadora, se o ser desse sou é (para) o nada – e se a difracção abissal desse ‘para’ é a tensão absoluta daquilo a que chamamos uma vida? E se todos somos Roy Batty no telhado nocturno, sem sequelas. |
| URI: | http://hdl.handle.net/10174/40881 |
| Type: | lecture |
| Appears in Collections: | FIL - Comunicações - Em Congressos Científicos Nacionais
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